Passar um dia todo torcendo para que este não acabe, findando na hora de dormir. E após esta derrota, torcer para que o sono perdure até muito tempo, dias, semanas, meses...
Alguém já sentiu isso?! É interessante né?! Você se distrai com coisas do seu branco e corriqueiro dia, naturalmente e sem esforço, daí chega na porta de casa, olha para a maçaneta, para completamente e vê que a hora que você menos quer, chegou. Um silêncio absurdo, ou talvez algum bicho noturno zumbindo ao longe, um carro passando na rua ou o avião passando no céu. Mais nada além desses sons. Sua casa está um breu, tod@s dormindo e o momento em que você também precisará fazer isso também está lá, a sua espera. Aquela hora em que o escuro e o frio te sugerem a ter um momento bom, para fechar o seu dia com chave de ouro. Mas... cadê essa chave?!
Sentimentos bons geralmente são chaves para a percepção de novos horizontes. Perceba: quando você está em paz, sossegado e com a consciência tranquila, você pensa em algo bom para fazer à noite, ou no fim de semana ou então para as próximas férias. Quando você está alegre com o resultado da prova da semana passada, ou com o fato de ter conhecido uma pessoa interessante, você também pensa em comemorar de forma criativa, como nunca antes, em um lugar nunca visitado. Ou então quando se sente livre, realizado com uma tarefa ou compromisso feito e que acabou de terminar com sucesso, você lança um suspiro de alívio e começar a pensar, inclusive, nas próximas fases de seus planos. Para não falar do amor, né?! Ele é capaz de coisas inimagináveis, imprevisíveis e, de um ponto de vista racional, às vezes impossíveis.
Mas e os sentimentos ruins? Já perceberam o que eles fazem? Eu ando percebendo. Alguns te desnorteiam, como a raiva, que te faz ser inconsequente. Já a tristeza te paralisa, fazendo do teu ritmo uma pausa enorme e cíclica e te tornando improdutivo. Mas a saudade te faz lembrar do coração. Ela te faz parar de escutar um pouco tuas razões e começa a escutar as tuas emoções, ou a falta delas, o teu pulsar. Mostra que tem um vazio nesse teu sistema. E te diz parcialmente como fazer para aquilo acabar. Digo em partes, porque ele quer alívio imediato. Seu coração quer saber de acabar com aquela agonia já. Mas e depois?! Pouco importa, o lance é a satisfação imediata.
Sim, car@s leitor@s (alguém? [:P]), estou incluindo a saudade no "grupinho do mal", e me contento em ter apenas essas justificativas do parágrafo anterior. Mas ela, assim como seus colegas de grupo, não deixam de ser chaves.
O único problema, a meu ver, e quero deixar claro que tudo isso aqui escrito e escarrado são apenas pontos de vistas, é a qualidade dessa chave. Será que ela é realmente de ouro?! Ou para deixar a metáfora um pouco de lado e partindo para a real funcionalidade da idéia, será que a chave escolhida está sendo a certa?! Abrindo a percepção que você quer ver?! E como fazer para adquirir essas chaves?!
Serei sucinto com essa última pergunta. Viver. De uma forma mais vulgar e não tão libertina, de fato o lance é deixar rolar. Que ai, assim como o Mário e o Luigi, você vai achando as chaves, passando suas fases e conquistando seus prêmios e realizações.
Mas voltando à finalidade da 'chave de ouro', que era de dar um momento bom para a sua noite fria e escura, eu me pergunto: de fato todo esse dia ruim acaba?! Hã, hã?! [;)] É, aquele dia que você pediu para não acabar justamente para que você não tenha que precisar de uma chave de ouro, porque afinal se você não quer que este momento chegue então é porque você não tem a tal chave. E percebeu que a finalidade é fechar?! Raraaaá... Grande questão?! Talvez, hein?!
Enfim. Acredito que acho válido querer que o dia não acabe, pois aí é que suas percepções estarão abertas. Ao final do seu dia, você fechará. Com que chave?! Não sei qual nem se é a que você realmente quer usar, mas o fato é que chegará o momento do sonhos e do descanso mental, que poderá ser algo que você pedirá para ser curto ou longo dependendo de como isso tudo se abrirá novamente.
Vou me privar de ficar só nesse devaneio, e não gerar nenhuma afirmação disso tudo, porque não é meu objetivo ser uma cara de auto-ajuda ou de desajuda [:P]. Sei que é preciso uma melhor elaboração para diferir sensação, sentimento e emoção. Acredito neles, assim como a bioenergética de Lowen, que essas três, respectivamente, são progressivamente mais definidos. Mas fica por ai mesmo, que minha mente está voltando a gostar de descarregar coisas por aqui, fazendo disso algo que ajuda na organização das minhas tolas idéias e das minhas noções de ortografia.
Boa noite a tod@s e um feliz aniversário para quem mereçe ser amad@.
;*
Recomendo:
LOWEN, Alexander - Bioenergética (1975)
HUXLEY, Aldous - As portas da percepção (1954)
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